O Moodle nas Empresas

2010/05/11

Muitas empresas mantém ainda algumas reservas relativamente à utilização de aplicações em código aberto (open source), normalmente disponíveis para download, de forma gratuita, na Internet. Contudo, a plataforma de e-learning Moodle tem vindo a demonstrar que a qualidade não implica obrigatoriamente custos elevados.

Apesar do seu nascimento ter ocorrido no meio académico, onde rapidamente o seu uso se generalizou, o Moodle tem vindo a ser escolhido por um número crescente de empresas como principal plataforma de e-learning. Disponível gratuitamente na sua página oficial http://moodle.org, o Moodle é uma plataforma de e-learning utilizada nos mais diversos contextos, permitindo abranger comunidades com cerca de 200 000 utilizadores.

O Moodle começa agora a ser utilizado por empresas multinacionais, como a Subaru e a Cisco, como plataforma de formação dos seus recurso humanos, assim como para a construção de comunidades de partilha de conhecimento e boas práticas.

Subaru – Ligação de concessionários via Moodle

Conhecida marca fabricante de automóveis, a Subaru é uma das grandes empresas que adoptou a vertente open source como veículo de gestão da formação. Darryl Draper, gerente e formadora na sucursal americana da Subaru, disponibiliza aos funcionários de mais de 600 concessionários espalhados por todo o país, formação de apoio ao cliente utilizando o Moodle.

A formação presencial numa empresa desta dimensão e com elevada taxa de rotatividade tornou-se impossível de gerir para Draper, que viu no Moodle uma alternativa. Optou por desenvolver o conteúdo do curso on-line e distribuí-lo pelos concessionários através da intranet da empresa. A Subaru encontrava-se inicialmente a utilizar um outro LMS para gerir os cursos, no entanto, este não era suficientemente flexível tendo em conta as necessidades de Draper. “Eu queria uma formação organizada de forma sólida em que os vendedores dos diferentes concessionários pudessem colaborar”, refere Draper acerca da sua procura por uma nova plataforma de e-learning.

O Moodle, como plataforma open source, ofereceu-lhe a flexibilidade de que necessitava. Recorrendo ao software e alojamento disponibilizado por um Moodle Partner, desenvolveu duas versões de cada curso, oferecendo aos utilizadores opções de auto-estudo com conteúdo e testes, bem como o desenvolvimento de comunidades de prática interactiva na plataforma Moodle. As comunidades, tornaram-se espaços de partilha, nos quais os estagiários, além de consultarem os materiais do curso, trocavam ideias com outros colegas.

“Os concessionários adoram as comunidades” diz Draper. “Conversam, partilham informações e desenvolvem as melhores práticas de trabalho. Os fóruns registam uma enorme adesão”.

Draper monitoriza os fóruns para garantir que as respostas vão de encontro aos objectivos pretendidos e recolhe as perguntas e respostas que considera serem úteis para futuros vendedores em formação. Esta informação é armazenada em wikis ou glossários num site interno.

“Temos um grande número de funcionários que se irá reformar em breve e que têm um conhecimento e experiência valiosos” refere Draper. “As comunidades Moodle vão permitir a criação de uma base de dados com as melhores práticas e procedimentos deixados também por estes profissionais”.

Cisco apoia empreendedores

A Cisco, fabricante global de soluções de redes, utiliza o Moodle no seu Entrepreneur Institute, que tem parcerias com organizações e governos que utilizam as ferramentas Web 2.0 para promover formação empreendedora e competências de planeamento de negócios.

A Cisco usa o Moodle para oferecer cursos de auto-estudo, permitindo o registo por parte de utilizadores de todo o mundo, desde estudantes na América Latina, a grupos sem fins lucrativos na UE.

"Queríamos uma ferramenta de código aberto, porque o instituto é um programa gratuito, e está em concordância com a nossa abordagem à comunidade", diz Vito Amato, solutions architect da Cisco.. "Também queria usar algo que os nossos clientes pudessem replicar nos seus próprios negócios."

Amato valoriza também o facto de o Moodle ser compatível com outros sistemas como Salesforce.com e WebEx, bem como a disponibilização de dezenas de pacotes linguísticos. “É fundamental para um projecto funcionar nos mercados emergentes,” diz Amato.

No entanto, Amato refere que não nos devemos aventurar no Moodle sem um correcto planeamento do projecto a desenvolver. “É importante ter a noção do que se quer realizar e partir da ideia de negócio para a escolha de qualquer outra ferramenta de software” destaca, referindo que muitas vezes os utilizadores escolhem a solução tecnológica antes de definirem os objectivos do projecto que pretendem realizar”.

"Primeiro devemos certificar-nos de que o aplicativo vai de encontro à nossa área de negócio e depois compreender de que forma poderá responder às necessidades do nosso projecto”, diz Amato. Tal como a Subaru, a Cisco também recorre a outra empresa para o serviço de alojamento do Moodle, um prestador de serviços em Baltimore.

Ainda que a empresa tenha uma grande equipa de especialistas em informática, Amato refere que a empresa prefere contratar especialistas em alojamento e gestão do Moodle, para que a sua equipa se possa concentrar nos objectivos do Instituto. “Uma coisa é fazer o download do Moodle, instalá-lo e explorar as suas funcionalidades. Mas, se se pretender fazer uma utilização intensiva da aplicação, é muito mais económico recorrer ao outsourcing” refere. “Não necessito gastar tempo e energia a preocupar-me com a gestão do hardware e software. Deixo os especialistas fazerem isso."

 

 

Fonte: Gale, S. F. (2008) Workforce Management Online. Disponível em:

http://www.workforce.com/section/10/feature/25/80/17/