A ED-ROM no Jornal Expresso

2010/02/02

A ED-ROM escreveu um artigo para revista Inovação&Tecnologia, com o tema E-Learning & Formação Tecnológica, distribuída com o Expresso de 30 de Janeiro de 2010.  Abaixo segue o texto do artigo.

Plataformas de e-Learning - Do proprietário ao Open Source

Plataforma de e-learning, também designada por LMS (Learning Management System), é uma aplicação informática que automatiza a implementação, controlo e análise do desempenho de acções de formação (ASTD - American Society for Training & Development).

A utilização de um LMS é essencial, e em alguns casos suficiente, para implementar com sucesso projectos de e-learning ou b-learning (Blended Learning, combinação de e-learning com ensino presencial). Um LMS permite realizar as seguintes operações:

  • Criar disciplinas e apresentar as mesmas organizadas por categorias;
  • Registar utilizadores e permitir o seu acesso ao LMS;
  • Definir quais os utilizadores que têm acesso a cada disciplina e qual o seu papel na mesma (aluno, tutor, formador, ...);
  • Disponibilizar aos formadores ferramentas de criação de conteúdos e de actividades pedagógicas (testes, trabalhos, lições,  ...);
  • Disponibilizar aos formandos e formadores ferramentas de colaboração e interacção entre si (fóruns, blogs, chats, wikis, ...);
  • Disponibilizar ferramentas de análise do desempenho e da actividade dos utilizadores.                                                                                                       

 


António Vilela
Director Geral da ED-ROM

 

No mercado dos LMS proprietários verifica-se um cenário de consolidação, com a entrada de operadores globais como a Oracle e a SAP no segmento empresarial e com a redução no número de concorrentes que dominam o segmento das grandes empresas, em grande parte através de actividades de Fusão e Aquisição (Saba, SumTotal, Plateau Systems). Em paralelo, nos últimos anos, surgiram vários LMS Open Source, dos quais se destaca o Moodle, que apresentaram um crescimento notável a nível global, competindo, de igual para igual, com as soluções proprietárias.

Ao contrário do software proprietário, o software Open Source pode ser obtido e utilizado gratuitamente e o código de programação pode ser modificado sem restrições. Em geral, o software Open Source é desenvolvido de forma colaborativa por uma comunidade global e activa de utilizadores. Tal como o Moodle, são exemplos de softwares Open Source bem sucedidos o Open Office, Firefox, Linux, Apache e PHP.

Os mitos que inicialmente se colocaram em relação ao Open Source estão hoje deitados por terra. Um desses mitos resulta da propensão para pensar que aquilo que é grátis não presta. Na verdade o Open Source tem uma filosofia económica diferente, a qual assenta na obtenção de uma elevada penetração de mercado com reduzidos investimentos em marketing e logística, numa estrutura de produção mais eficaz e económica, tirando partido do contributo de milhões de utilizadores em todo o mundo e na obtenção de receita, não através da venda e licenciamento do software, mas através da prestação de serviços de implementação, formação e apoio técnico, disponibilizados por uma rede global de parceiros.

Outro mito do Open Source é a possibilidade do software ser descontinuado em virtude do desinteresse dos promotores iniciais do mesmo. Porém a realidade tem mostrado o contrário. Estes softwares ganham vida própria e o forte empenho da comunidade assegura a sucessão das equipas que lideram o projecto e a sua continuidade. Já o mesmo não acontece com os softwares proprietários, como veio provar a recente decisão da IBM em descontinuar o Lotus Learning Management System, o que representa um sério prejuízo para as grandes empresas que investiram massivamente na implementação desta plataforma.

Na verdade o Open Source provou trazer consigo um conjunto de vantagens para os utilizadores, designadamente:

  • Não depende de um fornecedor único e, deste modo, o utilizador não corre riscos de degradação do apoio técnico ou aumento indiscriminado do custo dos upgrades e licenças;
  • Grande fiabilidade do software, devido aos testes constantes realizados por uma grande comunidade de utilizadores que, de forma transparente, regista e controla a resolução dos problemas identificados através da internet;
  • Elevada segurança do software, pois as comunidades Open Source encontram e corrigem falhas de segurança mais rapidamente e a produção de novas versões é mais regular;
  • Facilidade de personalização e adaptação às necessidades da organização em virtude da filosofia modular do software e da transparência e abertura do código;
  • Tradução para mais línguas, mesmo aquelas consideradas economicamente inviáveis pelas plataformas comerciais;
  • Menor possibilidade de colapso do fornecedor ou descontinuação do software e disponibilidade de parceiros oficiais e outras empresas que oferecem serviços profissionais.

A plataforma e-learning Moodle é um claro exemplo de um LMS Open Source bem sucedido apresentando um crescimento exponencial, como ilustra o gráfico deste artigo. Actualmente o Moodle tem mais de 45.654 instalações registadas (o registo não é obrigatório), dispersas por 207 países com um total de utilizadores superior a 32 milhões. As maiores instalações Moodle contam com 851 mil utilizadores e 46 mil disciplinas.

Estudos como o Guild Research 360° Report on Learning Management Systems e o estudo nacional LMS2, demonstraram que a plataforma Moodle ocupa uma posição de liderança em alguns segmentos deste mercado e, mesmo naqueles em que não é líder, revela um índice de satisfação superior à média, comprovando assim que o fenómeno das plataformas de e-learning Open Source veio para ficar!